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Mãe de duas estrelinhas

Mãe de duas estrelinhas

04.Out.17

E quando o nosso colo fica vazio depois do parto ?

Dia 17 de Março . Um dos dias mais marcantes da nossa vida .

 

Um boa noite, um acordar bem disposto, e de repente uma perda de líquido.  Alerta por parte das enfermeiras e médica, e um aviso para a equipa de neonatologia e bloco de partos. E lá fui eu, de viagem mais uma vez até a sala de partos, mas desta vez sem retorno ao 4º piso. Foi tudo muito rápido, as águas rebentaram de forma natural , o pai quase não chegava a tempo de me dar um beijinho e a força que precisava para que no bloco as coisas corressem tão "bem". O "bem" que se torna tão relativo. Eram 15:06h quando entrei no bloco de partos e olhei para o relógio. À minha volta uma confusão imensa de obstetras, enfermeiros, anestesiologista, neonatologistas (2equipas!), e duas vozinhas nos meus ouvidos e que permaneceram na minha cabeça durante a minha passagem no bloco. "Vai correr tudo bem meu amor, respira " disse sempre o amor da minha vida ; "Tens de te controlar, não te podes enervar, para ajudares as tuas meninas e a ti" disse a minha mãe, a nossa heroína , ao longo de todo o percurso. Às 15:17h nasceu a nossa Maria Rui e as 15:18h a nossa Maria Leonor. Não consigo explicar o que é ter duas filhas e não as ter nos meus braços. A única coisa que vi foi a carinha da nossa MR, que o médico me mostrou antes de a levar para a neonatologia. E era tão pequenina. Levaram-nas nas suas novas casinhas, e eu fiquei. De colo e coração vazio. Numa 1h estava de volta ao local de onde o meu amor se tinha despedido de mim. E onde ele voltou novamente, com a minha mãe, para juntos tentarmos ganhar alguma força para o que aí vinha.

 

Entretanto o pai foi vê-las. Pareceu uma eternidade. E finalmente quando voltou trazia um miminho especial. As primeiras fotografias das nossas filhas. Um aperto tão grande. Tão pequeninas, a precisarem de tantos apoios, e em situações quase inviáveis de sobrevivência. É uma dor inexplicável. E mais uma vez a vozinha "Têm de ser fortes, elas estão a lutar e vocês vão lutar com elas". Que mãe tão especial que eu tenho. Sou um pessoa tão abençoada. Estou rodeada dos melhores e com duas estrelinhas a olhar por mim. Com tanto "azar" e tão sortuda ao mesmo tempo.

 

Mais uma vez cruzei-me com uma enfermeira impecável, e que apesar de eu necessitar de fazer 12h sem levantar, percebendo o vazio, me ajudou a conhecer as minhas filhas mais cedo do que o previsto. E assim , já passava da 00h quando o meu amor me veio buscar de cadeira de rodas, para me levar a conhecer as nossas filhas.

 

             

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E lá estavam elas, no meio de tantos "pis", no meio de tantos fios. Tranquilas, serenas. E a lutar pela vida.

 

Sara

 

 

 

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